Afinal, o que é fantástico? – Parte 06

Afinal, o que é fantástico? – Parte 06

Olá!

Já aconteceu em uma palestra, onde eu falava sobre o meu livro, uma professora fazer uma pergunta sobre literatura de fantasia que eu não consegui encaixar o contexto (a princípio). Foi com o desenvolver dela que alcancei o que ela queria: entendi que a professora compreendia tudo relativo à fantasia com a Literatura Fantástica Inglesa, do Edgar Allan Poe, e o Realismo Mágico latino. Como tudo o que eu estava falando era relativo a essa Literatura de Fantasia que está mais presente no mercado editorial hoje em dia, demoramos um pouco para nos localizarmos em nossos conhecimentos sobre o assunto. E isso não é incomum, já que existe uma geração que cresceu conhecendo (na prática ou não) um mundo pós Harry Potter, e aqueles que só conhecem a literatura acadêmica. Muito provável esses dois mundos se chocarem em eventos, encontros literários e outros espaços onde a literatura e escrita são discutidas.

Contudo, para ambos os lados, não vamos dizer que um é antagonista do outro, por favor! 😀 Nosso mundo já está cheio de polaridades em conflito para incendiarmos um assunto que, no fundo, é igual. Para quem conhece apenas um lado, é preciso conhecer os dois para se dizer um verdadeiro ‘conhecedor’ de Literatura Fantástica.

Então, para você que é como a professora, vamos recapitular algo que já foi dito: quando falo aqui de Literatura Fantástica Moderna, ela se refere a algo que está acontecendo agora, nesse século, e não aquela literatura clássica de O Corvo, por exemplo. Diferente da sua madrinha antiga, essa literatura não é considerada uma escola literária (ainda) e está mais relacionada com o mercado de entretenimento do que com conversas literárias regadas a chá em Academias de Letras. 😀

Sobre a Literatura Fantástica Inglesa, que influenciou e ainda influencia muita literatura de fantasia hoje, vou apenas passar por cima. Ela já é bem conhecida, e acho que basta apenas eu falar as palavras chaves Corvo/Poe para tudo fazer sentido.

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Mas, vou explicar um pouco sobre o Realismo Mágico, já que ele é mais conhecido de quem estuda literatura do quem gosta de ler livros:

O Realismo Mágico é uma escola literária surgida no início do século XX, também é conhecida por Realismo Fantástico ou Realismo Maravilhoso, sendo este último nome utilizado principalmente em espanhol. É considerada a resposta latino-americana à literatura fantástica europeia (aquela, do Poe). Entre seus principais expoentes estão o colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, o peruano Manuel Scorza e os argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. Muitos consideram o venezuelano Arturo Uslar Pietri o pai do Realismo Mágico. No Brasil, destacam-se os nomes de Murilo Rubião e José J. Veiga e parte da obra de Dias Gomes.

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Vale também colocar aqui que o Realismo Mágico foi uma escola literária que não aconteceu aqui no Brasil – não declaradamente. Embora tenhamos obras que se classifiquem como (Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis, é um grande exemplo), o que aconteceu na época no cenário literário brasileiro foi a Semana da Arte Moderna. Esse evento influenciou muito os rumos da literatura e e arte aqui no Brasil, e nos distanciou do que acontecia com nossos vizinhos.

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Tá, entendido a diferença entre Literatura Fantástica “Antiga” e Realismo Mágico, em comparação ao mercado de fantasia hoje, vamos para os subprodutos da primeira:

Fantasia: é um gênero que usa a magia e outras formas sobrenaturais como elemento principal do enredo, da temática e/ou da configuração. Muitos trabalhos dentro do gênero ocorrem em planos de ficção ou planetas onde a magia é comum. A fantasia é geralmente distinguida da ficção científica e horror pela expectativa de que ela fica longe de temas científicos e macabros, respectivamente, embora exista uma grande sobreposição entre os três gêneros.

Na cultura popular, o gênero da fantasia é dominado por sua forma medievalista, especialmente desde o sucesso mundial de O Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien e de As Crônicas de Nárnia.  Atualmente, ainda se usa outra nomenclatura para diferenciar as obras que tenham um mundo com cenário mágico e não necessariamente dentro do contexto medieval: os épicos. Em seu sentido mais amplo, no entanto, a fantasia inclui obras de vários escritores, artistas, cineastas e músicos que, a partir de antigos mitos e lendas, conquistam adeptos de várias partes do mundo.

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Hoje, na literatura de fantasia que acontece no mercado editorial é bem comum termos histórias que dividem seus acontecimentos em vários livros. É uma prática bem comum, uma vez que sai mais barato (tanto para a produção quanto para quem adquire o produto final) ter volumes do que um único livro de 800+ páginas. Entretanto, essa prática gera uma questão para muitos: o que é série e o que é saga? Isso tem relação com o fato de se ter vários volumes ou não?

A classificação de histórias entre uma e outra às vezes fica em uma linha bem tênue. Mas, é possível sim separar pelo que mais se destaca na obra. Vamos usar 2 exemplos bem básicos e fácies de entender:

Senhor dos Anéis = saga || Harry Potter = série

Saga = a história apresenta um único objetivo, que se desenvolve através de vários volumes até que seja alçando. Em SdA, o objetivo é destruir o Um Anel, e por isso também podemos chamar a história de Saga do Anel. Guerra dos Tronos é considerado uma saga?… Acho que vamos ter que esperar o final mesmo para poder classificar, por que tem tantas histórias ramificadas ali dentro que fica difícil estabelecer um único objetivo. Porém, muitos tratam como uma saga, pela questão de tudo rolar para ver quem fica no trono (…a questão é: será que realmente é esse o verdadeiro objetivo? xD)

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Série = um contexto único no qual se desenvolve várias histórias, podendo haver vários objetivos. Harry Potter tem uma história única em si, assim como SdA. Mas, construímos ela através das aventuras que ele vive em cada ano de Hogwarts. Cada ano, cada livro, têm seu próprio objetivo. Isso configura uma serialização da história. Para quem gosta de séries de TV, é o mesmo princípio: cada temporada tem um objetivo, com vários arcos que fazem tudo acontecer nesses episódios; mas também existe um arco geral que envolve toda a história.

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Um exemplo que envolve as duas classificações? Os livros da Cassandra Clare. Tem a saga dos Instrumentos Mortais, das Peças Infernais e dos Artifícios Mortais e mais alguma que ela deve estar escrevendo no momento. Mas, todas elas fazem parte da Série Caçadores das Sombras.

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Tarefinha de casa: relembrar aquelas histórias que você já leu e que se desenrolam por livros e perceber se elas podem ser classificadas saga ou série. 😀

Post que vem vamos falar um pouco sobre a literatura de Terror/Horror. Essa parte merece um post somente dela já que é foi uma precursora de fantasia, tanto na literatura como no cinema! o/

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