Afinal, o que é fantástico? – Parte 08

Afinal, o que é fantástico? – Parte 08

Faz relativamente pouco tempo que, no mercado como um todo, a fantasia passou a ser rentável. Rentável ao ponto de não ser mais algo ligado aos filmes da Disney! xD

Adoro filmes da Disney! Mas, parece que antes fantasia era só isso. Claro que as pessoas que gostam mais de assuntos individuais como Romances Policiais/ Romances de época/ Quadrinhos de heróis/ outros não vão falar de primeira que gostam de fantasia. Mas, será que elas entendem que isso tudo também se enquadra em fantasia? Enfim, discussão muito abrangente e filosófica para ser discutido aqui, vamos para o próximo parágrafo…

Como vimos nos posts anteriores, a fantasia de horror é bem antiga. Contos de fadas são muito antigos. Histórias de aventuras contadas em paredes de cavernas são superhipermega antigas. Então, como podemos pensar que a Literatura de Fantasia é recente? Bom, houve um marco, que meio que definiu o antes e o depois, o como era e o como é hoje: Tolkien. Esse professor inglês, nascido na África do Sul, fissurado em inventar umas línguas divertidas para seres que não existiam, é mais importante para a Literatura de Fantasia do que pensamos. Não vou falar sobre a vida dele e nem quem ele era, o Google existe para isso (#googlem) e o vídeo da postagem é bem explicativo. Vou falar sobre o trabalho dele, especificamente sobre o assunto máster aqui: fantasia.

Primeira coisa: não, Tolkien não criou nenhuma novidade com a Terra-Média. Ele recriou. Deu uma nova roupagem, uma nova função, um novo status para coisas que já eram conhecidas, sejam do folclore popular ou de mitologias antigas. Ele tinha muito acesso a informação na época, interesse e, sim, criatividade de sobra! Juntando isso tudo ao seu senso de escrita acadêmico e a sua vontade de lidar com histórias que envolviam a magia e um tempo ancestral, resultou no sucesso O Senhor dos Anéis (O Hobbit, de início). A partir do trabalho dele, várias outras histórias do gênero tiveram mais espaço para nascer. Começou devagar, e hoje está nessa proporção gigante que conhecemos. Por isso ele é considerado o pai da fantasia.

Claro que teve quem não gostou e não gosta. Um exemplo é Richard Adams, autor de Em busca de Watership Down, que tem opiniões bem diferentes sobre o que deve ser um bom livro de fantasia e por isso escreveu uma aventura sobre coelhos para seus filhos. Depois ele achou sua obra tão boa que publicou. E não vou comentar sobre se é uma boa história ou não em relação ao mundo do Tolkien, mas deixo já deixo aqui a tarefinha de casa para vocês fazerem suas próprias comparações sobre as duas obras.

E, como falar de cada um dos pontos e elementos importantes da obra do Tolkien demandaria tempo, assistam esse documentário que vale super a pena:

Pois é… A folha em branco é uma ilusão, lembram disso?

E, Nárnia, Lhaisa? Não é importante? Tolkien e Lewis eram da mesma época!

Sim, eram da mesma época e fizeram um trabalho magnífico para a literatura fantasia moderna. E, vejam bem, os dois eram amigos! Daqueles que saíam para beber juntos e discutiam sobre seus escritos e teorias literárias. Portanto, se os dois são importantes, qual a diferença? Resposta: o formato épico. Nárnia tem um pé no nosso mundo real e muito de doutrinamento. Já a Terra-Média existe independente do planeta Terra (outro planeta talvez, similar, mas definitivamente não o nosso, apesar de encontrarmos semelhanças xD). E isso junto com o aspecto medieval mágico fazem a história se encaixar no épico.

Então, tentem pensar que a concepção predominante da época para fantasia era contos de fadas: onde se encaixaria uma obra como O Senhor dos Anéis? Não é ficção científica. Não é terror. Não se enquadra na Literatura Fantástica do Edgar Allan Poe. Não dá para dizer que é uma história para crianças como foi O Hobbit. Provavelmente ela está muito mais próximo de A Ilíada ou de Os Lusíadas, não? “Alta Literatura”. E agora, Academias? Não dá para desconsiderar um livro que se aproxima tanto do que é considerado Alta Literatura, mesmo não sendo convencional.

Da mesma forma que Harry Potter se tornou um fenômeno de leitura, SdA abriu espaço e foi exemplo para toda a fantasia que veio a seguir. Não que elas já não existissem antes, mas puderam ir além do preconceito e saírem do isolamento.

Ah, mas eu não gosto de SdA! Muito chato, muita descrição!
Tudo bem, tem o filme para ajudar a entender o que a história tem de épica, aindaqueaotodosejam10hsdehistória.

SdA pode ainda enfrentar essa barreira da narração pomposa para alguns leitores. Mas, é inegável o fato de que se hoje você pode ler livros como Jogos Vorazes, Divergente, Harry Potter, Percy Jackson, ou mesmo jogar esses games cheios de fantasia, é porque antes existiu essa narração chata e cheia de descrição que quebrou preconceitos! xD

Enfim, falei demais (e nem era para falar tanto pq tinha o vídeo). Próximo tema: Distopia! Jogos Vorazes é a primeira distopia que existe? E, afinal, o que realmente é uma distopia? xD

Até o próximo post! o/

Voltar ao Topo